SonarQube encontrou os problemas. Mas você sabe o que fazer primeiro?
Do finding técnico à decisão de negócio: entenda como transformar indicadores de código em prioridades de engenharia.
Encontrar problemas no código é importante. Mas, em ambientes com muitos sistemas, aplicações críticas e grandes volumes de código, existe um desafio ainda maior: entender o que realmente importa e onde agir primeiro.
É aqui que SonarQube e SQA entram em momentos diferentes — e complementares.
SonarQube: o exame que mostra o que está acontecendo
Pense no SonarQube como um exame de sangue completo. Ele analisa o código e apresenta uma série de indicadores, identificando questões relacionadas à manutenção, confiabilidade e segurança, além de métricas como cobertura de testes, complexidade, duplicação e Quality Gates.
E a quantidade de informação pode ser grande. O relatório The State of Code 2025, da Sonar, analisou mais de 7,9 bilhões de linhas de código, identificando aproximadamente 445 milhões de issues em mais de 40 mil organizações. O dado ajuda a dimensionar um dos desafios atuais da engenharia: não é apenas encontrar problemas, mas conseguir interpretá-los e decidir onde concentrar esforços.
Encontrar um problema não significa saber qual vem primeiro
Imagine dois problemas. Um tem alta severidade técnica, mas está em um sistema que será substituído em poucos meses. O outro tem severidade menor, mas está em uma aplicação crítica, que muda constantemente e cujo conhecimento está concentrado em uma única pessoa.
Qual merece atenção primeiro?
A resposta depende do contexto.
Além da severidade técnica, fatores como criticidade, exposição, frequência de mudanças, histórico de incidentes, testes, concentração de conhecimento e roadmap de modernização podem mudar completamente a prioridade.
Por isso, severidade técnica não é necessariamente prioridade de negócio. A primeira ajuda a explicar o problema; a segunda considera o impacto daquele problema dentro da realidade da organização.
Onde entra o SQA?
É justamente essa visão mais ampla que o Software Quality Assessment (SQA) busca oferecer.
Pense no SonarQube como aquele exame de sangue completo: ele entrega uma série de números e aponta tudo o que está fora do padrão no código. Mas o resultado do exame, sozinho, não diz necessariamente o que é mais importante ou o que precisa ser tratado primeiro.
É aí que entra o SQA.
Assim como um médico olha o exame junto com o histórico do paciente, o SQA amplia a análise e considera o contexto do software para entender o que realmente representa um risco para o negócio. Ele ajuda a separar o que pode esperar daquilo que merece atenção imediata, mostrando onde agir primeiro e por quê.
Em vez de olhar somente para o código, o SQA amplia a avaliação para dimensões como qualidade do código, segurança, processo de desenvolvimento, automação de testes e distribuição de conhecimento.
No fim, um mostra o que está acontecendo; o outro ajuda a transformar essas informações em uma decisão. E, ao traduzir a avaliação em uma classificação de A a F, o SQA também facilita a comunicação com executivos, que não precisam conhecer termos como code smell ou technical debt para compreender o cenário e os pontos que merecem atenção.
Por isso, não se trata de substituir o SonarQube. Trata-se de ir além do finding técnico e transformar evidências de engenharia em contexto, prioridade e decisão.
Mais do que encontrar problemas, saber onde agir
Para CTOs, CIOs e líderes de engenharia, qualidade de software não é apenas uma discussão técnica. Ela influencia decisões sobre modernização, segurança, capacidade dos times, evolução de sistemas e alocação de investimentos.
SonarQube e SQA, portanto, não precisam competir. O SonarQube oferece classificação e priorização técnica dentro do domínio que analisa, enquanto o SQA acrescenta outras dimensões e contexto para apoiar decisões organizacionais.
No fim, a pergunta deixa de ser apenas “quantos problemas existem?” e passa a ser: “quais realmente importam para o negócio — e por onde devemos começar?”
Sobre a Codurance
A Codurance é uma consultoria global de engenharia de software, reconhecida por sua expertise em qualidade, arquitetura e práticas modernas de desenvolvimento, com forte base em Software Craftsmanship.
Apoia empresas na construção de capacidade técnica sustentável, desenvolvendo sistemas confiáveis, seguros e fáceis de evoluir, reduzindo custos, riscos e tempo de entrega.
No Brasil, destaca-se principalmente por projetos de Software Quality Assessment (SQA), modernização tecnológica e transformação de engenharia.
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